terça-feira, 4 de novembro de 2008

"Apaixonadamente plagiadas"...


Lá vou eu começar a disponibilizar (audaciosamente) uns textos meus... MAS E O QUE TEM ISSO COM O H.I.M.??? Bom, na verdade são adaptações (talvez mal sucedidas...) de umas músicas deles que eu acho legais, e decidi transformar em crônicas, ou contos ou alguma coisa assim... espero que os fãs dos rapazes identifiquem as músicas "apaixonadamente plagiadas" e gostem.

Bem aqui em meus braços

Estou anestesiado, aqui, olhando-a sorrir sorrisos intensos, como se o céu tivesse descido à terra. Eles refletem nitidamente o luzir de um sol que brilha no seu céu, de brilho tão forte que me doem os olhos. Sim, seus desejos mais profundos viraram realidade, finalmente os sussurros de suas preces foram atendidos, cessaram-se os murmúrios de lamento de seu coração. Sua felicidade é tão grande que está a sufocando.
Enfim ela vai estar exatamente aqui em meus braços, tão apaixonada. E eu vou abraçá-la com mãos, pernas, dedos, cabelos, de um jeito que não poderá ir, pois sua alegria acorrentou meu coração. Uso da razão apenas para me declarar completamente escravo.
E tão duro seus demônios estão tentando, mas não vão conseguir tornar seu coração pedra. Podem até arrancar-lhe lágrimas, mas agora ela pode ver que nunca mais vai estar sozinha.
Finalmente vou poder tê-la bem aqui em meus braços, de sorrisos como gritos sufocados por uma dor, de pranto como inquietação de paixão platônica, escondido... num momento tão íntimo...
Poderei sentí-la, amá-la e não, não vou deixá-la ir embora, não vou deixar isso morrer.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Perto da chama

Com o mais doce beijo e o toque mais quente, seu sorriso continua a amanhecer, mesmo habitando um mundo tão frio e forte.
Eu me sinto queimando claramente. Completamente envolvido no calor que emana de você, e, com essa proximidade, a força do seu sorriso faz meu sofrimento lutar desesperadamente e em vão por uma única lágrima que não vai ser derramada.
Não vou enfraquecer. Me render a qualquer capricho profano nos deixaria sós, indefesos, frágeis e inevitavelmente separáveis. Enquanto os anjos não me levam para a paz do Paraíso, sei que posso viver na segurança dos teus braços.
A vida não te levou a pureza, não calou-lhe as palavras boas, não apagou o brilho dos olhos. Você não perdeu a fé nesse mundo cretino, pois não consegue enxergar com o olhar de querubim o que eu vejo com o pesar de um condenado. Mas não me rendo a ele, não. Só às tuas delicadas mãos, gestos, aos teus movimentos, à essa auréola eternamente reluzente.
Continuo queimando nitidamente, com a fonte do calor entre meus braços. Eu nunca vou enfraquecer. Prefiro apenas fechar os olhos e te ouvir me queimar para dias melhores...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Não feche seu coração

Quando você está sozinho, consegue ouvir o eco do silêncio e se sente cansado. Cansado de ouvir palavras não ditas, de assistir sonhos nunca sendo realizados. Cansado de saber que seu coração está se transformando em pedra e que o mundo aplaude e incentiva essa mórbida mutação, ao bater a porta na sua cara. Está tudo errado, e você sente uma dor tão grande, está tão entorpecido, que não consegue nem mais se enganar.
E apesar de tudo isso, o vento continua batendo na janela. Se prestar atenção, vai ouvir ele sibilar palavras de coragem: "Não feche seu coração". Ouça-o. Abraçe esse fruto do vazio como a um aliado, que não quer nunca te ver desistir. O sopro do silêncio limpará sua mente e lhe libertará.
É sim muito fácil render-se ao desespero, quando você parece presa encurralada, desenganada da existência de qualquer escapatória. É grande a ferida feita pelo pecado, e por ela você sente esvairem-se seus sentimentos, as palavras, a resistência, inteiramente toda sua alma. Você parou de se importar com qualquer possibilidade de cura, pois tudo é em vão.
Mas apenas ouça o ruído dessa lágrima que vai descendo pela sua face. Mergulhe fundo nisso. O silêncio te conta todos os segredos, te diz para não fechar o coração. Como uma melancólica canção de ninar, te acalma o espírito.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

E o amor disse "não"

Eu até achei que a luz do amor me guiaria até você, mas mais uma vez ele se mostrou frio e gelado, me fazendo voltar a habitar aquele vazio que (ironicamente) eu já podia chamar de lar. Te vi sorrir e percebi que estava totalmente sem esperanças.
Venha pra mim, cure essa dor, ou me deixe em paz para morrer vivo. De joelhos implorando, suplicando, e a doce voz feminina do amor dizendo "não". Eu chorando e você me sugando as forças com esse seu "não".
Uma placa com os dizeres "Otário" enfeita o portão desse cemitério. A tumba fria que é o amor foi você quem cavou, e, olhando daqui de dentro, sei que te deu prazer me olhar caindo como em um abismo. A violência dessas palavras podem te fazer rir de um exagero inexistente ou amargar lágrimas de arrependimento, mas é verdadeira a dor de mil facas rasgando meu sentimento e deixando-o sangrar, pois eu lembro de todos os dentes brilhando no sorriso do "não".
Ainda espero o calor dos teus braços e a doçura dos teus lábios curarem essa ferida funda no meu coração. Esse seu "não" me deixa cada vez mais enterrado nessa vida, sofrendo como alma desgarrada pela falta de você.
Alguém tentou me consolar, mas só disse mentiras: Não, a luz do amor não saberia guiar alguém tão perdido. Continue com seu "não" e me deixe em paz para viver só.

domingo, 26 de outubro de 2008

Coração Vampiro

Toda a fé é perdida e o inferno parece sorrir pra mim, pois a vergonha é amarga como sangue coagulado. Você que quis assim e agora não vai mais poder escapar da ira do meu coração.
Estou aqui nesse caminho apaticamente banhado pelas trevas, onde ficaria toda a minha perversa eternidade, mas, quando te vi, lembrei do tempo em que a vida pulsava em minhas veias. Você acordou um sol que estava anoitecido em mim e agora sei que posso te guiar por esse corredor sombrio.
O brilho dos teus olhos mostra que você segurou a vida como eu gostaria que segurasse minha mão. Ame a mim como amou ao sol que queima o sangue gelado do meu coração vampiro.
Enquanto você dorme, eu sei que me torno o espinho das rosas e o fim das esperanças. O pesadelo que invade seu lindo sonho de amor. E, te vendo de longe, imagino você descendo até aqui, com o Paraíso te esperando um pouco mais, com os portões abertos.
Esqueça. Não é nada disso. Não te quero aqui embaixo, não quero ver seu sorriso embebido em sombras. Ame ao sol, ame á vida e fuja do desespero desse coração vampiro que lhe vendeu a alma e que vai sempre estar esperando pelos seus beijos.
Amo-te. Estou fadado a ser pra sempre os espinhos das rosas do teu sono, que ferem os sonhos mais bonitos por inveja de não poder te fazer feliz como eles te fazem.

sábado, 25 de outubro de 2008

Essa Fortaleza de Lágrimas

E denovo aqueles pesadelos. Dessa vez meu sub-conciente te levou para um refúgio. Calmo, seguro. Lá ninguém podia te machucar. Você afundava silenciosamente nessa graça, apenas prendendo a respiração.
Mas eu chorava. Tinha muito medo. Construí uma fortaleza de lágrimas por você. E por você o medo aumentava em mim, e eu sei que aquela fortaleza de lágrimas não vai tombar, pois elas não param de cair dos meus olhos.
Causas e consequências. A paga. Agora nada te livraria das correntes que prendiam teu coração: assim seria ao se refugiar no forte criado por mim. A única coisa que você podia fazer era concentir e continuar afundando.
Rei da fortaleza que nem minha era. Ditava leis e você as aceitava. E nos pesadelos que eu tive nesse pesadelo eu via a verdade: meu medo só aumentava por você, que, mesmo livre do mundo, mesmo a salvo no forte, ainda era tão frágil... tão cheia de pecados...
A fortaleza é sua, eu apenas a construí com as lágrimas do desespero a que você me remeteu.
E mesmo sabendo disso, você só me olhava nos olhos, sorria triste e, ainda de respiração presa, afundava... afundava...