terça-feira, 4 de novembro de 2008

Bem aqui em meus braços

Estou anestesiado, aqui, olhando-a sorrir sorrisos intensos, como se o céu tivesse descido à terra. Eles refletem nitidamente o luzir de um sol que brilha no seu céu, de brilho tão forte que me doem os olhos. Sim, seus desejos mais profundos viraram realidade, finalmente os sussurros de suas preces foram atendidos, cessaram-se os murmúrios de lamento de seu coração. Sua felicidade é tão grande que está a sufocando.
Enfim ela vai estar exatamente aqui em meus braços, tão apaixonada. E eu vou abraçá-la com mãos, pernas, dedos, cabelos, de um jeito que não poderá ir, pois sua alegria acorrentou meu coração. Uso da razão apenas para me declarar completamente escravo.
E tão duro seus demônios estão tentando, mas não vão conseguir tornar seu coração pedra. Podem até arrancar-lhe lágrimas, mas agora ela pode ver que nunca mais vai estar sozinha.
Finalmente vou poder tê-la bem aqui em meus braços, de sorrisos como gritos sufocados por uma dor, de pranto como inquietação de paixão platônica, escondido... num momento tão íntimo...
Poderei sentí-la, amá-la e não, não vou deixá-la ir embora, não vou deixar isso morrer.

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